sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Os percalços do caminho

Nenhum caminho de fato é isento do contato humano, principalmente por vivermos na era do consumismo, do descaso e dês-responsabilidade, caminhamos diariamente pelos mesmos trajetos, para ir de encontro a nosso trabalho, ou apenas para acessar novos e já conhecidos lugares. Caminhamos sobre calçamentos que retratam os efeitos do uso e do tempo, ouvimos ruídos e jamais definimos os pássaros que ali cantam, os transeuntes que passam ao nosso lado, os automóveis em velocidades extremas e o lixo, tão silencioso a nosso ver e tão barulhento em dias de vendavais e temporais.
            Somos uma enorme população mundial, e não damo-nos conta do uso indiscriminado e da produção exponencial de bens de consumo obsoletos, descartamos tudo o que consideramos desnecessários, independente de seu estado de uso, porém onde os descartamos?
            Em lixões a céu aberto? Aterros sanitários quase inexistentes? Usinas de reciclagem? Será que separamos os resíduos em nossas casas/apartamentos? E assim continuamos a contaminar nossos solos de onde provém o sustento alimentar, nossas águas que estão se extinguindo de maneira assustadora, e continuamos aquém a todo este quadro prejudicial e pejorativo, colocamo-nos perante a visão de superioridade e esquecemos que somos organismos vivos orgânicos e dependentes deste planeta.
            Os percalços do caminho foi um momento de observar através da lente de uma câmera digital o trajeto percorrido todos os dias por um sujeito social e ver de outra forma estes passos, a instabilidade da natureza e o descaso da mão humana, que sem dó nem piedade lança seus excrementos a céu aberto como se o lixo fosse sua própria extensão corpórea.
            Tendo todos estes dilemas, a intervenção em sala de aula alterou-se, realizou-se apenas uma das intenções previstas, montou-se o vídeo, foi observado, analisado, e resolveu-se gravar mini-documentários auditivos para alertar sobre esta problemática, sendo que dois deles fora colocado no vídeo original. Num momento posterior, procurar-se-á dar encaminhamento as ideias originais, o que vale deste movimento é a desestabilização causada nos educandos instigando-os a verem o seu entorno com novos olhos, olhos não mais míopes e sim límpidos e conscientes deste mundo mutável e finito.   Assim acreditamos que a arte surge como possibilidade de reflexão e análise dos dilemas, com o intento de desestabilizar e tirar cada sujeito do lugar comum e crente no qual engessa muitas vezes seus pensamentos e sentimentos, instigando a rever o que de fato acredita estar vendo.
video

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Cinema,Vídeo, Godard de Phillipe Dubois - uma leitura

            Dubois nos põe diante de uma ousada reflexão ao afirmar que o “vídeo é de fato um estado do olhar: uma forma que pensa”. Mas quem pensa? A imagem ou o espectador? Pasmos ou questionadores, nós ficamos diante de uma máquina que nos leva a pensar, questionar, duvidar. Retomando o texto escrito por Machado na apresentação da obra, há um questionamento inicial que elenca transformações profundas de caráter tecnológico, estético e ontológico. Será que estamos vivendo uma nova era de transformações e mutações sociais, efêmeras e voláteis que tem o vídeo como aliado para seu registro?
            Analisemos então os escritos de Machado, ao afirmar: “o vídeo se apresenta de forma múltipla, variável, instável, complexa, ocorrendo numa variedade infinita de manifestações”, o autor ainda argumenta que as experiências videográficas são efêmeras, acontecem ao vivo num tempo e num espaço específico que só podem ser resgatadas através da forma de documentação quando existentes. Esta variedade de utilizações do vídeo é que nos faz dialogar com as possibilidades e as mudanças que foram surgindo com o advento das tecnologias. No início o cinema clássico trabalhava com a justaposição de imagens, a vanguarda ampliou este campo ao valer-se da fotomontagem, na contemporaneidade o cinema deu espaço para o vídeo, não como uma obra pronta e intelectualmente acabada e sim com dois vieses distintos de análise, citados por Machado e corroborados na obra de Dubois.
            Segundo o autor o vídeo nasce e se desenvolve numa dupla direção, conforme seus escritos: “chamamos de vídeo um conjunto de obras semelhantes às do cinema e da televisão, roteirizadas, gravadas com câmeras, posteriormente editadas e que, ao final do processo são dadas a ver ao espectador numa tela grande ou pequena”, nesta colocação compreendemos o vídeo como uma extensão do cinema, que apresenta em sua estrutura um enredo, cenas, imagens que deverão ser apresentadas ao público e compreendidas por ele, numa sequência de fatos que nos fazem interessar-se pelo que está passando e ficar assistindo estes eventos. Por outro lado, “vídeo pode ser também um dispositivo: um evento, uma instalação, uma complexa cenografia de telas, objetos e carpintaria, que implicam o espectador em relação ao mesmo tempo perceptivas, físicas e ativas, abrangendo portanto muito mais do que aquilo que as telas mostram”. Nesta perspectiva o vídeo não prescinde de um roteiro a ser seguido, nem de papéis a serem representados ou imagens a serem transmitidas, assume um papel menos explícito e mais complexo, nas instalações é possível ver uma inversão da lógica, ao invés de ir apreciar uma obra, o sujeito ao adentrar neste espaço torna-se co-participe do trabalho artístico, neste processo de deslocamento é preciso pensar o vídeo com outra função, não mais apenas uma maneira de registrar a volatilidade dos acontecimentos, assim Dubois sugere que pensamos o vídeo como um estado e não como um produto. Pensar na forma de estado é articular com as inúmeras possibilidades de interpretações, transformações e criações, enquanto que pensar como produto é compreender sua construção formal e acabada.
            Pensar como estado é pensar a imagem que não pode ser desvinculada do dispositivo para o qual foi criada, para Dubois suas formas de apresentação são consideradas instalações já que funcionam além da imagem “invocando também a multiplicidade, a velocidade, o espaço tempo saturado, móvel e flutuante, além de se impor como uma presença, um estado, mais que como um objeto de contemplação”.
            A primeira vista torna-se difícil pensar na imagem vídeo como uma instalação que vai se construindo e se estruturando conforme o espaço tempo para o qual foi projetado, o vídeo é o espaço da fragmentação, da edição, do descentramento, do desequilíbrio, da velocidade, da dissolução do sujeito, da abstração, da pós-modernidade, na qual todas as verdades são questionadas, onde os ensinamentos são postos a prova de sua efetiva utilidade, na qual é permitido intercalar materiais múltiplos na busca da expressividade. Através do vídeo nos colocamos diante de uma nova linguagem, uma nova estética, “o vídeo poderia ser encarado já não mais como uma maneira de registrar e narrar, mas como um pensamento, um modo de pensar”.
            Aqui podemos fazer uma analogia comparando o vídeo com as obras surrealistas, na qual é dada uma ênfase em determinados aspectos, no suspense dos movimentos, no amortecimento de uma narrativa que é contemplada pelas indagações que o vídeo nos propõe, imagens que se sobrepõe, que do figurativo tornam-se abstratas, trabalha-se a imagem na superficialidade, na mudança, que não permite ao espectador aprofundar sua análise sobre o que está sendo apresentado, há um rompimento da narrativa linear, na busca de um metadiscurso, é visualizar de maneira diferente, pensar o vídeo como estado e não como produto.
            Nesta linha de pensamento, valemo-nos da fala dois filósofos, citados na apresentação deste livro e suas interpretações sobre cinema e ensaio: para Jacques Aumont o cinema é uma forma de pensamento: ele nos fala a respeito de ideias, emoções e afetos através de um discurso de imagens e sons tão densos quanto o discurso de palavras. Aqui abre-se o leque interpretativo ao citar que não se faz a narrativa apenas por palavras, existem outros discursos que permeiam o imaginário humano e um deles, pode ser, a imagem cinematográfica e/ou videográfica.
            Por outro lado, Theodor Adorno, expõe sobre a noção de um ensaio não ser mais expresso apenas por palavras e sim, por cenas, imagens, movimentos, ele diz: “denominamos ensaio certa modalidade de escrita, que atributos amiúdes considerados ‘literários’ como a subjetividade do enfoque, a eloquência da linguagem e a liberdade do pensamento”, todas estas colocações podem adquirir um novo estágio de pensamento ao sair da concretude do papel e trabalhar na volatilidade das imagens.
            Na introdução deste mesmo livro, escrita por Dubois, ele esclarece a questão central do mesmo, que busca trabalhar o que é o vídeo em relação a sua natureza de imagem e de seu lugar no mundo das produções visuais, e sua relação com o cinema. Trata-se de uma tarefa ousada que desafia o pensamento moderno acomodado, ao refletir que um estilo artístico profano, que muda os padrões que estavam sendo desenvolvidos em arte, e põe o espectador como interventor da obra e observador ativo destas produções, ampliando o campo discursivo através das metanarrativas, pois vídeo é movimento.
            Segundo ele só podemos pensar o vídeo como um estado, estado de olhar e do visível, maneira de ser dar imagens. O vídeo apresenta-se como um problema numa forma genérica de imagem e de pensamento, não existe uma especificidade do vídeo, trata-se de um estado imagem, uma forma que pensa, ele pensa ou permite pensar sobre o que as imagens fazem ou são, “quer pensemos como dispositivo, quer como imagem, o vídeo se revela primeiro como um não-objeto”.
            Em meio a esta complexidade sobre o que é ou não um vídeo, podemos dizer que através desta tecnologia de registro pode-se pensar, criticar e expor diferentes modos e percepções sociais, na qual o sujeito observador tornou ator, questionador e indagador, mas afinal de contas o que é um vídeo? Sentimento, expressão, exposição, indagação, ensaio? Não há definições, apenas formas de utilizar para demonstrar, representar ou questionar a vida que temos, são formas de linguagem que interpretam signos e significados sociais, porém esta linguagem mudou-se além de palavras escritas e verbais, utiliza simbologias através das imagens ou não-imagens (aquelas que são trabalhadas e mudam o que eram originalmente), ou enquadram nossa expressão de assustados ao nos vermos como o autor de obra e não o mero espectador.
 Pensar em vídeo enquanto estado, é dar-se conta de que a vida fragmentada e mutável deste mundo nos questiona incansavelmente sobre o que pensamos, sentimos, almejamos e acreditamos. O vídeo e a nova concepção artística, tornou a vida humana mais complexa, não há mais assimilação pacífica é preciso tornar-se reflexivo e indagador. Afinal de contas, a montagem ontológica da imagem, os novos procedimentos de justaposição, manipulação da imagem, construção de vídeos e indagações realísticas, não são como processos textuais, no qual o bicho homem busca expressar seu constante desejo de liberdade, inerente a sua espécie?

Passos... um novo olhar


Reflexão:

            Este vídeo surgiu com a intenção de modificar meu olhar sobre a realidade que está a meu redor, gostaria de expressar através dele uma forma diferenciada de ver e rever o que diariamente vejo. Sair da ótica dos rostos e fixar-me nos pés. Como inspiração lembrei-me da obra de Vicent Van Gogh “Os sapatos”, que retrata toda uma história a partir dos sapatos desgastados, o quanto podemos ver e conhecer de uma pessoa ao fixar nosso olhar em seus pés. A filmagem, foi realizada com cerca de dez cenas em ambientes próximos, sala de aula, pátio escolar, e uma criança dependurada numa árvore, a junção e sobreposição destas cenas tinha a intenção de misturar os ambientes tornando-se apenas um, que se complementa, as crianças foram filmadas de forma distraída, mas ao perceberem-se sendo gravadas faziam poses e cenas com seus pés. Este trabalho me abriu as portas para uma ideia de roteiro, montei e irei compartilhar neste espaço.



Vídeo: “Marcas urbanas... passos”.

Escaleta:

  • Onde nos levam nossos pés, a cada passo;
  • Passos que demonstram insegurança, medo, aproximação, fuga, nervosismo, felicidade, infelicidade, cansaço, pressa, nervosismo, impaciência, angústia, conquista, espera;
  • Cada passo que damos um passo a menos para a conquista de nossos objetivos;
  • O mundo sob nossos pés, as marcas que deixamos;
  • Sonhadores, perdidos, compenetrados, objetivos, todos damos passos, sejam eles com os pés ou com cadeiras de roda, andadores, próteses.



Argumento:

            Reflexão acerca dos passos que damos diariamente na vivência cotidiana, como eles se alteram seguindo nossos sentimentos e desejos. Quando estamos inseguros, damos passos vacilantes, se estamos amedrontados caminhamos apressadamente, se não temos pés utilizamos recursos como andadores, próteses, cadeiras de rodas dentre outros, a ideia é explorar os passos, com o intuito de abrir uma nova forma de ver a vida em sociedade. Observar o mundo através de uma nova ótica, aquela que se junta ao caminho, o andar, é pensar no quanto transmitimos para nossos pés nossas angústias, nossos medos e desejos. Intuitivamente é observar a vida humana através das marcas que deixamos nos caminhos que trilhamos para ir ao trabalho, no consultório médio, no intervalo das escolas, nas praças e vias públicas, na areia, subindo e descendo escadas, bem como registrar o burburinho causado do contato da sola de nosso sapato com o árido chão, concreto, asfalto, piso, areia, grama, ou simplesmente terras e pedras. São ideias que trabalham no viés da complexidade humana, ao refletir sobre a subjetividade a partir das marcas que deixamos e dos movimentos inconsciente que fazemos com nossos pés e nem nos damos conta, pois como sendo parte orgânica sua existência não é valorizada e percebida. Também procura-se finalizar o vídeo demonstrando sutilmente imagens de quem perdeu este membro tão básico para nossa vida.



Roteiro literário:

Primeiro passo: determinar as cenas que pretende-se registrar sob o tema proposto;

Segundo passo: observar com mais atenção as formas que as pessoas movimentam seus pés ao caminhar, correr, sentar a aguardar atendimento em lugares públicos, verificar se através destes passos é perceptível a subjetividade, mesmo que sinteticamente, das pessoas ali envolvidas.

Terceiro passo: localizar pessoas que perderam seus membros inferiores e conversar sobre como sua vida foi alterada a partir do surgimento desta nova dificuldade, esta conversa servirá de motivador para a mudança de olhar, ou seja, a partir do conhecimento de uma realidade diferente o vídeo será captado com um novo olhar.



Imagem do vídeo
Áudio
Textos/falas/legendas
Cena 01:
Via pública, praça, trajeto de escolares/ext./dia
Filmar os pés de diversas pessoas anônimas, enquanto transitam de um lugar a outro, captando cenas lentas, apressadas, cansadas, ou seja, todas as possibilidades.
Sons de passos apressados e burburinhos de pessoas conversando, crianças agitadas, carros passando em vias públicas.
Palavras sobrepostas à imagem, que lembrem sentimentos, ações que lembram passos, caminhos e conquistas.
Cena 02:
Prédio público/secretaria de saúde/int./dia
Captar as imagens dos pés das pessoas sentadas, em pé, como estes movimentam-se enquanto esperam.
Silêncio, impressão de lugar gélido, onde os passos são mudos/inexistentes.

Cena 03:
Escola/pracinha/ext./dia
Filmar pés de crianças brincando na pracinha, cancha de areia, correndo, brincando, jogando bola.

Risos, sons infantis, brincadeiras que transmitem a ideia de alegria e felicidade.

Cena 04:
Horário de pico, rodoviária - ext./vespertino
Pessoas subindo e descendo de ônibus, caminhando até a rodoviária, comprando passagens.
Buzinas, freadas, passos sob a calçada agitados.

Cena 05:
Via pública/ext./dia (finalizar)
Filmar pessoas que utilizam recursos médicos para locomoverem-se: cadeiras de rodas, andadores, próteses,  em via pública, externa, durante o dia. 
Som de vento, a ideia de deja vu.
Questionamento narrativo, relacionado a importância de preservarmos nossa vida, nossos passos. 



Analise Técnica

Câmera digital modelo Kodak Easy Share C743

Locomover-se de um espaço a outro com a câmera digital e registrar as cenas descritas.

Notebook Inspirion 1525 – Processador Intel Core 2 Duo – 3G de memória – 320 HD – Windows Vista Home Basic

Windows Movie Maker, para a edição de imagens e sobreposição de algumas cenas.

Tempo aproximado 40 segundos para cada cena, sendo que uma transpassa sobre a outra ao iniciar.

Tempo máximo 4 minutos.



Cronograma

O vídeo será filmado durante uma semana, incluindo final de sema, pelo turno da manhã, tarde e vespertino. Primeiramente será feita uma observação dos locais prévias, para poder precisar adequadamente o horário no qual as filmagens serão realizadas, serão captadas diversas cenas e selecionadas as que forem mais condizentes com a proposta inicial. 

Cena 01
Centro da cidade de Canela, praça pública, próximo a passagem de transeuntes e estudantes, horário do meio dia.
Cena 02
Posto de saúde, horário da manhã, início do atendimento ao público. Bairro Santa Marta, município de Canela.
Cena 03
Escola Estadual de Ensino Pedro Oscar Selbach, Canela, turno tarde, turma de pré-escola (alunos de cinco e seis anos), atividades lúdicas na pracinha.
Cena 04
Rodoviária municipal de Canela, vespertino, saída do emprego e retorno para casa.
Cena 05
Cena mais difícil, praça pública, aguardar a chegada de pessoas com deficiências locomotoras e/ou na escola de educação especial localizada no próprio município. 


Mãos... apenas mãos!


A ideia deste vídeo surgiu, a partir da leitura de um texto literário, que realiza uma fala simbólica sobre o sentido das mãos, aquelas que nos ajudam a vir a vida, outras que seguem nos cuidando, alimentando e encaminhando para a inclusão social, assim como nossos pés possuem significações importantes, nossas mãos desenham em suas palmas nossa história:

[...] Um par de mãos me tirou do útero de minha mãe ao nascer, outro trocou minhas fraldas, me alimentou, me nutriu, outro ainda me ensinou a ler e escrever. Agora, outros pares de mãos cultivam minha comida, entregam minha correspondência, coletam meu lixo, fornecem-me eletricidade, protegem minha cidade, defendem minha nação. Um par de mãos cuidará de mim e me confortará quando eu ficar doente de velha, e, por fim, outro par de mãos me levará de volta à terra quando morrer. (HUNTER, James C. O Monge e o Executivo, Rio de Janeiro, Sextante, 2004, p. 86-7)

            Acostumamos-nos tanto a estar “completos” fisicamente que acabamos sem dar importância devida àquelas partes que são imprescindíveis a nossa vida, pensar em pés como suporte e sustentação, pensar em mãos como possibilidade de acolhimento, entrega e apoio, assim vai constituindo-se paulatinamente os “nuances do EU” este ser em repleta estruturação e transformação, a cada segundo, sente, inova, sofre e ressignifica-se. Partindo dos pressupostos da física é capaz de curvar-se e voltar ao estágio natural, tem o poder da resiliência, mesmo que na vida pensamos que exista apenas uma narrativa, vejamos bem se somos capazes de reinventar nossa história construindo diferentes narrativas.

            O vídeo... Mãos, apenas mãos? - tem a intenção inicial de chamar a atenção para uma parte física, estruturalista e simplória do ser humano, dando-lhe um novo papel, o de ser uma instituição que pensa, sente e interage, demonstrando que entramos em contato com o mundo exterior a partir de dois pequenos membros alicerçados para nossa vida, da mesma maneira refletir como o mundo foi pensado para quem possui todos os membros superiores e inferiores e as dificuldades passadas por quem não os possui.

            São apenas ideias que vão tomando formas, num passeio pela sala de aula, registrando momentos das atividades dos alunos, vislumbra-se o valor excessivo dado as mãos e o quase esquecimento do restante do corpo, como se fossemos seres isolados e compartilhados, no sentido de partes, fragmentos, pedaços e noções isoladas.

            Será que não nos aproximamos, aqui, dos principais impasses da modernidade, que propôs separar arte de ciência, emoção de razão, não seria pensar o ser humano como membros isolados comandados por um “computador central” (cérebro), sem que estes fossem interligados?  

            Há muitas cogitações, pensamentos e aproximações, mas será que compreendemos quem é este EU?

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A história das Coisas

O vídeo “A História das Coisas”, com duração de 21min. 17seg. apresenta uma interessante analogia sobre a situação pós-moderna ou a falência da modernidade, pode-se dizer que chegamos a ser modernos? Ele retrata de forma sucinta e bem articulada toda a problemática de um sistema de produção linear capitalista que visa o lucro, o desperdício e a massificação dos sentimentos e/ou pensamentos através da cultura midiática (em especial). Demonstra nitidamente a influência sofrida pela população mundial e o enésimo grau do adoecimento humano, o qual subtrai e amortece os sentimentos ampliando o desejo consumista e individualista. O vídeo convida a uma provocação reflexiva sobre os hábitos incoerentes desenvolvidos a partir de uma lógica “infinita” de recursos, eis a consciência invertida, pois vivemos num país de recursos “finitos”. Para refletir: Como nos relacionamos com o meio ambiente, os meios de produção e o consumo? Por que razão adentramos neste círculo vicioso que nos leva a um consumo desenfreado, a assumir responsabilidades e trabalhos extras a nossa condição físico-psicológica, apenas para termos bens financeiros e adquirir mais bens obsoletos de consumo que envenenam nossa mente e nosso ambiente?

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Pairando sobre a diversidade

Moehlecke ao falar do corpo contemporâneo faz referência a nós seres humanos possuidores de um corpo, que articula e interage com o meio social, ao envolver-nos com a exterioridade, somos meio e parte integrante do social, cultural e diverso que chama-se: mundo. Através dele podemos relacionar-nos com os demais sujeitos sociais e construir nossa própria identidade. Na era moderna o corpo é visto como uma máquina que age em prol da busca de seu dono, sendo este corpo despido de sentimentos e necessidades, ele há em detrimento das necessidades do capital.
Atualmente vivemos na era da fragmentação na qual o corpo, perde-se, dilui-se e constitui-se por etapas, fragmentos, somos feitos de concreto, madeira, ferro, encontramo-nos diluímos em avenidas, apartamentos, ruas, hospitais, escolas, prédios, desterritorializados de nosso próprio corpo.
Não estamos mais diante da cidade, fazemos e somos parte dela. Mas será que todos os seres humanos têm a oportunidade de fazer parte dela? Será que todos nós estamos sendo constituídos e constituidores desta corporeidade contemporânea?
Nós toleramos muito pouco a multiplicidade. Esses diferentes serão vistos como a evidência da possibilidade de eu não ser como tenho sido e poder vir a ser de outro modo. Eu tenho um amigo, o Jorge Larossa, que diz assim: não sejas nunca de tal forma que não possa sê-lo, também, de outra maneira. Isso é bárbaro, é genial. Mas é um risco absoluto. Porque postula a multiplicidade. Postula a necessidade de estarmos disponíveis para a diferença em nós mesmos. Logo, precisamos estar disponíveis para a diferença no outro, nos outros. Entretanto, a cidade contemporânea (e nós, urbanóides que nos misturamos a ela) força a proliferação dos iguais, o alastramento das massas, os comportamentos em série. (PEREIRA, 2002)
http://www.youtube.com/watch?v=ZeouipBOlzI

Sordidez e Beleza: repensando nossas ações ambientais

Falar em questões sórdidas é adentrar uma esfera social complexa que requer um pensamento sério e coerente com as perspectivas culturais, respeitando as diferenças que configuram o ambiente físico material, bem como o psiquismo imaterial humano, tendo clareza de que as diferenças fazem parte de nosso dia-a-dia.
Pensar em educação é atentar para a necessidade de inovar, mudar e instigar a busca do novo, que não é tão desconhecido como se imagina, é sim a possibilidade de integrar o aluno como sujeito ativo em seu processo de construção da aprendizagem.

Sordidez e beleza... palavras tão duras e complexas que nos levam a imaginar pensamentos e construir ações coerentes ou não com nossa sociedade, por muitas vezes acabamos nos envolvendo neste emaranhado social e nem damo-nos conta de nossa responsabilidade. Jogamos um papel de balas pela vidraça do carro, atiramos um toco de cigarro ao chão, lançamos uma latinha vazia no arroio, as sacolas plásticas voam em nossos ares e simplesmente não queremos assumir as consequências destes atos inadmissíveis socialmente, por considerarmo-nos modernos e intelectualmente manipuladores do ambiente.

É só caminhar, por algumas vielas, centros e calçamentos e veremos a tentativa dramática do ser humano em dominar o ser humano e a natureza, tudo começa com um gesto simples de lançar em qualquer lugar aquilo que queremos nos desfazer.

Com a globalização e industrialização da produtividade de bens de consumo, houve um significativo aumento do descarte, tudo tornou-se obsoleto em menos de seis meses de uso, as relações não encontram-se mais territorialmente definidas, mas em espaços desterritorializados, os valores encontram-se invertidos culturalmente e moralmente. Vivemos em uma crise paradigmática, sem precedentes e sem alternativas claras de superação. Portanto é preciso compreender a história de cada “coisa” para encaminhar-se a mudança ético-sócio-cultural.

E assim começa a degradação ambiental...

Um copo descartável jogado ao chão...

Esgoto sem tratamento correndo nas águas de uma cascata...

Paramos e nos questionamos:

Como tudo isto começou?